Crescimento e Desenvolvimento
São processos interligados e interdependentes, o crescimento consiste no aumento do tamanho do corpo ou de alguma parte dele e o desenvolvimento é o aumento da capacidade da pessoa de realizar atividades cada vez mais complexas, ambos são influenciados por diversos fatores, dentre os quais:
- Herança genética;
- Hormônios circulantes tais como: hormônios de crescimento, hormônio da tireóide, hormônios sexuais;
- Fatores ambientais (nutricionais, mecânicos, infecciosos, imunitário, estado emocional materno, uso de drogas e tabagismo na gestação);
- Nutrição.
O ser humano desde o nascimento deve ser capaz de respirar, comer, fazer digestão, dar sinais de alerta (choro) em casos de desconforto, para isso é necessário receber uma alimentação adequada, rica em água, proteínas, açúcares, gorduras, sais minerais e vitaminas.
Estudos mostram que crianças da mesma idade apresentam as mesmas características como tamanho, comportamento e funcionamento do corpo, dessa forma é possível agrupá-las conforme faixa etária segundo Marcondes:
- Neonatal: 0 a 28 dias
- Lactentes: de 29 dias à 2 anos;
- Pré-escolar: de 2 anos à 6 anos;
- Escolar: de 7 a 10 anos;
- Adolescencia: pré-puberal de 10-12 à 14 anos, puberal de 12/14 a 14/16 anos, pós-puberal 14/16 a 18/21 anos.
De modo geral o crescimento e desenvolvimento vão depender dos diversos fatores já citados e do próprio ritmo da criança. O desenvolvimento segue três direções:
- Da cabeça para os pés: primeiro a criança sustenta a cabeça, depois senta, depois engatinha, depois anda.
- Do centro para as extremidades: primeiro a criança coordena os braços, em seguida as mãos e com o passar do tempo, os dedos.
- Do geral para o específico: primeiro a criança emite sons sem sentidos e depois palavras e frases.
Há determinados períodos da vida que são mais apropriados para o crescimento de determinada parte do corpo ou o desenvolvimento de alguma habilidade. Por exemplo: os primeiros dois anos de vida há um maior crescimento e desenvolvimento do sistema nervoso, do nascimento até um ano a criança aprende a confiar no mundo.
Ao aprender uma habillidade nova a criança costuma repeti-la até que possua domínio sobre ela, quando aprendem a sentar não querem mais ficar deitadas, quando aprendem a andar fazem por horas seguidas e nessa época em geral não aprendem a falar.
Índices utilizados para a Vigilância Nutricional
Existem vários indicadores e índices utilizados para aferição do estado nutricional de uma criança, dentre as quais citamos os indicadores de peso, altura, perímetro cefálico, perímetro torácico, perímetro braquial, idade óssea, erupção dos dentes, fontanelas, suturas, peso ao nascer e os índices: peso/idade, altura/idade, peso/altura. O Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso dos índices para avaliação do crescimento pois são relativamente precisos e obtidos facilmente.
Perímetro Cefálico
Avalia o crescimento cerebral, que apresenta-se muito rápido no primeiro ano de vida, com gradual diminuição do ritmo. A OMS não recomeda seu uso para avaliar estado nutricional ou para acompanhamento de programa de recuperação nutricional, tem a finalidade de facilitar a identificação de doenças como hidrocefalia, microcefalia, craniosinostose.
Deve ser medido passando-se uma fita métrica circulante à cabeça acima das sobrancelhas (nos sulcos supra-orbitários), acima das orelhas e na maior proeminência do osso occipital.
Perímetro torácico
Mostra o crescimento e funcionamento dos ossos do tórax. Pode ser medido na altura dos mamilos ou na altura da terminação do osso esterno (apêndice xifóide), no intervalo entre a inspiração e a expiração normal da criança.
Perímetro braquial
Revela o crescimento muscular da criança e avalia a ocorrência de desnutrição, não pode ser usado como único parâmetro para avaliar o crescimento e desenvolvimento, apresenta pouca acurácia.
Deve ser medido no meio do braço esquerdo (para os canhotos usa-se o direito), entre o ombro e o cotovelo, deve estar caído sem esforço em ângulo reto com o antebraço. Essa medida é importante para calcularmos o tamanho correto do aparelho de pressão arterial.
Peso/Idade
Este é o índice mais utilizado, expressa a massa corporal para a idade cronológica, é de fácil medição e mostra a sensibilidade do peso a variação do estado nutricional da criança, no entanto é incapaz de identificar desnutrição grave como o caso da doença kwashiorkor, pois o edema muitas vezes compensa a perda de peso e não avalia o crescimento linear, outra desvantagem desse índice consiste na impossibilidade de saber se a desnutrição apresentada por uma criança é recente ou iniciou-se no passado. Entretanto esse índice é o mais sensível para monitorar menores de 1 ano nos quais o comprometimento da altura ainda não teve chance de se evidenciar.
Para efetuar a pesagem deve-se retirar toda a roupa da criança, os maiores podem ficar somente de calçinha e cueca, tarar a balança antes do procedimento, perguntar ao cuidador o peso anterior e falar o peso atual, anotar na caderneta de vacinação.
Altura/Idade
Caracteriza crescimento linear do esqueleto, que cessa quando se completa a maturação do esqueleto. A média ao nascer é de 50 cm, com aumento de 25cm no final do primeiro ano e com 2 anos a criança terá 50% da altura do adulto, a partir do 3 anos de vida há um aumento de 5 a 6 cm/ano. É o melhor parâmetro utilizado em maiores de 6 meses pois o crescimento alcançado não retrocede, a presença desse índice abaixo do normal indica que a criança possue um défit nutricional de longa data, nesse caso não se pode usar o termo desnutrição crônica, pois sabe-se que o défit nutricional surgiu no passado porém não se pode afirmar que ainda está presente.
Vários estudos tem demonstrado que o índice altura/idade está sendo considerado o indicador mais sensível para monitorar a qualidade de vida de uma população, pois grande parte da população brasileira vem enfrentando cronicamente o problema da fome, caracterizado por um significativo retardo de crescimento.
Os materiais usados para realizar a medição são: a régua antropométrica, a régua da balança ou fita métrica. O procedimento usado em menores de 2 anos, consiste em deitar a criança em superfície dura e plana, de costas sem fralda, a parte fixa do antropômetro deve tocar a cabeça da criança enquanto as pernas são bem estendidas de forma que fiquem bem aderidas a superfície em que a criança está deitada. Com a outra mão o técnico deve aproximar a parte móvel do antropômetro dos pés da criança, tomando o cuidado para que estejam em ângulo reto com as pernas, para as maiores de 2 anos a medição é realizada com a criança em posição ereta, usa-se a régua da balança caso não possua balança, pode se encostar a criança na parede, sem calçados, tomando o cuidado para que a parte posterior da cabeça, os ombros e as nádegas toquem a parede, a cabeça deve estar posicionada de forma que uma linha imaginária passe na base da órbita e no orifício externo do pavilhão auricular. Com a juda de um esquadro, ajustado na parede e na superfície superior da cabeça, deve-se marcar na parede a altura medida, depois com a fita métrica mede-se a altura demarcada na parede.
Peso/Altura
Expressa a relação entre a massa corporal e a altura, isto é, a harmonia das dimensões corporais da criança. Na maioria das vezes seu défit está associado à fome ou doença grave. O retardo de crescimento pode ser visto nesse índice pois a criança que recebe alimentação de forma ineficaz tende a cresce com menor intensidade e com mais idade ela estará pesando mais.
O Ministério da Saúde adotou como medida de acompanhamento da saúde da criança o Cartão da Criança, nele está contido além de alguns dados importante como o esquema vacinal e o peso ao nascer, também contém os gráficos de perímetro cefálico, perímetro braquial, peso/altura, altura/idade, neles os índices antropométricos são expressos em percentis, considera-se normal a criança que possue suas medidas de peso e de altura entre o percentil 10 e 97. Esses valores foram criados baseados na população de referência o que permite afirmar se o indivíduo está pesando e medindo o equivalente a população geral. A OMS recomenda a realização da antropometria, mensalmente, nos primeiros seis meses de vida e após esse período a cada 2 meses até o segundo ano de vida que passa a ser semestral coincidindo preferencialmente com o calendário vacinal. Após uma série de medições em meses diferentes obtem-se uma curva, que quando evolui horizontalmente é sinal de alerta, se ascendente dentro do percentil 10 a 97 é satisfatório, descendente demonstra crescimento insatisfatório, abaixo do percentil 10 significa desnutrição ou retardo de crescimento e acima de 97 sobrepeso e/ou obesidade.
Avaliação do desenvolvimento
Para verificar se uma determinada criança está se desenvolvendo de forma adequada é necessário conhecer a sequência normal do desenvolvimento e as características gerais para cada idade, sem esquecer que existem variações individuais. Para entender melhor o comportamento das crianças é importante reconhecer algumas características básicas de cada faixa etária:
O lactente (0 a 1 ano): tudo que aprende depende das sensações corporais e como está aprendendo a confiar no mundo, precisa de estímulos agradáveis e suas necessidades atendidas rapidamente, está na chamada fase oral, ou seja, sente grande prazer em sugar e experimentar todos os objetos através da boca.
O Pré-escolar (de 1 à 3 anos): ainda necessita de sensações corporais agradáveis, assim como ter experiências de olhar, sentir e manusear vários tipos de objetos; está passando pela fase anal, ou seja, sente grande prazer a tudo que se refere a eliminações e começa a conseguir controlar os esfincteres (da bexiga e do anus), porém isso não pode ser exigido da criança, ele começa a perceber a sua existência, por isso gosta e precisa sentir que pode decidir, o que leva a fazer muita birra quando contrariado, é muito egocêntrico, ou seja, não consegue entender o ponto de vista de outras pessoas.
De 3 a 6 anos: ainda é egocêntrico, necessita manusear objetos para desenvolver o raciocínio, porém não tem noção de tempo e espaço, está passando pela fase genital; tem prazer e interesse em tudo que se refere aos órgãos genitais, aprende a distinguir o que é certo e o que é errado por isso começa a comparar os fatos ocorridos com ele; inclusive acidentes e correção de comportamentos errados como a punição.
O escolar (7 a 11 anos): deixa de ser egocêntrico e começa a raciocinar de uma maneira mais lógica e ordenada, embora só entenda os concretos; não gosta de brincar com crianças de outro sexo e tem as necessidades de sentir ocupado em alguma atividade com objetivo definido e que produza algo.
O adolescente (de 12 a 20 anos): sua capacidade de raciocinar é semelhante a do adulto; embora tenha menos experiência de vida, apreciação pelas pessoas do sexo oposto e grande necessidade de se identificar com um ídolo e de se sentir pertencente a um grupo, fazem com que se comportam como os outros desse grupo, representado na forma de se vestirem, de se pentearem e devido as rápidas mudanças de seu corpo e as dúvidas sobre o que vão ser quando adultos, ficam inseguros e tem grandes conflitos.
É de fundamental importância compreender o comportamento da criança, saber o que esperar delas em cada idade, avaliar seu desenvolvimento, saber que estimulação a criança precisa receber para continuar e se desenvolver e até se precisa de algum atendimento especial.
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